segunda-feira, 26 de outubro de 2015

11. O SUSTO E A ÚLTIMA TENTATIVA

Já havia passado 4 dias do transplante hepático e tudo parecia estar dentro da normalidade, até que na tarde daquele dia, meus resultados de exames chegaram e deixaram os médicos em alerta, algo estava errado. Eles concluíram que a “anastomose”, que é a costura que é feita na artéria hepática, estava apertada. Para eu ser mais clara, eles tiraram meu fígado doente e colocaram o do doador no lugar, a costura cirúrgica é feita em uma artéria do fígado (que é mais fina do que uma veia), e é esta costura que ficou muito apertada e estava dificultando o fluxo sanguíneo. A notícia era mesmo preocupante, mas eu estava bem e nem desconfiava de nada... Mas, a qualquer momento a artéria poderia entupir e eu não resistiria. A esta altura do campeonato, eu já estava me alimentando com purê e gelatina, estava feliz, me sentia bem. Os médicos já tinham até tirado o dreno do meu abdômen e a sonda vesical (para urinar).

Neste dia, um médico ignorante da UTI, Dr. Benedito, disse a minha mãezinha com brutalidade: “Ela está bem, mas se a artéria entupir, ela morre!” Ele foi tão bruto, tão bruto que minha mãezinha conta que foi se encolhendo, até se sentar no chão de tanto chorar... #insensível

No dia seguinte, fui levada de ambulância ao Hospital Samaritano de SP. Eles realizaram um procedimento de mais 5 horas para tentar desobstruir a artéria hepática. Uma cânula foi da virilha ao fígado, similar ao exame de Cateterismo Cardíaco, mas este procedimento não foi suficiente para sanar o problema. A única alternativa para que eu sobrevivesse era um re-transplante.

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