sábado, 24 de outubro de 2015

9. RPA - REPOUSO PÓS ANESTÉSICO

Meu corpo está estranho, sinto-me suja, há algo grudento em minha pele, tudo parece em câmera lenta e o que vejo está turvo. E o pior, há algo em minha boca que pressiona minha língua para baixo, quando engulo saliva sinto um cano ferindo minha garganta. Estou entubada.
Não estou sozinha, a Dra. Márcia Ferreira está comigo, ela ouve uma música bem baixinha, de Chico Buarque de Holanda e, ao notar que abri os olhos ela num salto vem ao meu lado e me pede: “Fique calma, está tudo bem! Vou te dar um papel para que escreva o que você quer” e eu escrevo: “Banho” rs
Ela então me explicou que o que havia em meu corpo era anti-séptico (depois eu soube que era Polvidine PVPI), e que eu estava toda enfaixada (como uma múmia) para que a temperatura do meu corpo fosse mantida, pois foram muitas horas de cirurgia.
Então eu escrevi: “Cano”
Ela me pediu para ter um pouco mais de paciência, que era de madrugada e ela só iria retirar a cânula pela manhã.
Foi bem difícil, a ansiedade e o incômodo eram enormes! Com muito custo, adormeci novamente.

Não posso dizer que orei por essas horas, parecia que eu estava em outra dimensão. Não consigo descrever, é como se estivesse assistindo a um filme sem graça de mim mesma. Não era bom estar acordada, mas dormir também não trazia descanso. Creio que era o efeito de tanto anestésico, antibiótico, anti-inflamatório que eles injetavam. Só sei que a sensação era muito, muito ruim.

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