Meu
corpo está estranho, sinto-me suja, há algo grudento em minha pele, tudo parece
em câmera lenta e o que vejo está turvo. E o pior, há algo em minha boca que
pressiona minha língua para baixo, quando engulo saliva sinto um cano ferindo
minha garganta. Estou entubada.
Não
estou sozinha, a Dra. Márcia Ferreira está comigo, ela ouve uma música bem
baixinha, de Chico Buarque de Holanda e, ao notar que abri os olhos ela num
salto vem ao meu lado e me pede: “Fique calma, está tudo bem! Vou te dar um
papel para que escreva o que você quer” e eu escrevo: “Banho” rs
Ela
então me explicou que o que havia em meu corpo era anti-séptico (depois eu
soube que era Polvidine PVPI), e que eu estava toda enfaixada (como uma múmia)
para que a temperatura do meu corpo fosse mantida, pois foram muitas horas de
cirurgia.
Então
eu escrevi: “Cano”
Ela
me pediu para ter um pouco mais de paciência, que era de madrugada e ela só
iria retirar a cânula pela manhã.
Foi
bem difícil, a ansiedade e o incômodo eram enormes! Com muito custo, adormeci
novamente.
Não
posso dizer que orei por essas horas, parecia que eu estava em outra dimensão.
Não consigo descrever, é como se estivesse assistindo a um filme sem graça de
mim mesma. Não era bom estar acordada, mas dormir também não trazia descanso.
Creio que era o efeito de tanto anestésico, antibiótico, anti-inflamatório que
eles injetavam. Só sei que a sensação era muito, muito ruim.
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