segunda-feira, 26 de outubro de 2015

14. O VÍRUS

O primeiro ano de transplante foi bem complicado. Meu doador tinha um vírus chamado Citomegalovírus e eu não. Por isso, precisei ainda fazer um tratamento de vários dias de medicação para combater o tal vírus. Os médicos explicavam que para outras pessoas, esse vírus era como o da gripe, não causava nada de grave, mas, como eu tinha a imunidade baixa devido às medicações imunossupressoras, ele poderia me causar uma pneumonia grave. As medicações que eu tomava tinham a característica de reduzir as defesas naturais do meu organismo para que não houvesse rejeição do órgão recém colocado. Com o passar do tempo, eles reduziriam ao máximo as medicações, mas eu teria de tomar algum tipo de medicamento durante a vida toda.
Para tratar o citomegalovírus, eu tinha de tomar a medicação na veia às 9hs e às 21hs. Por 7 dias, depois por 14, depois por 21 dias. Depois, devido a orientação de um médico que havia vindo da Argentina, eles decidiram que eu faria o tratamento por 90 dias. O problema é que não era recomendável que eu ficasse internada por causa do risco de infecção hospitalar, nem mesmo no isolamento, então eu ia e voltava da Santa Casa de SP a São Caetano do Sul, todos os dias desse período. Sem contar as idas ao hospital para exames e consultas, 3 vezes por semana.

Mas, pouco a pouco o prazo dos exames e consultas foi se tornando mais espaçados até que pude voltar a uma rotina normal, como qualquer adolescente.

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