O
primeiro ano de transplante foi bem complicado. Meu doador tinha um vírus
chamado Citomegalovírus e eu não. Por isso, precisei ainda fazer um tratamento
de vários dias de medicação para combater o tal vírus. Os médicos explicavam
que para outras pessoas, esse vírus era como o da gripe, não causava nada de
grave, mas, como eu tinha a imunidade baixa devido às medicações
imunossupressoras, ele poderia me causar uma pneumonia grave. As medicações que
eu tomava tinham a característica de reduzir as defesas naturais do meu
organismo para que não houvesse rejeição do órgão recém colocado. Com o passar
do tempo, eles reduziriam ao máximo as medicações, mas eu teria de tomar algum
tipo de medicamento durante a vida toda.
Para
tratar o citomegalovírus, eu tinha de tomar a medicação na veia às 9hs e às
21hs. Por 7 dias, depois por 14, depois por 21 dias. Depois, devido a orientação
de um médico que havia vindo da Argentina, eles decidiram que eu faria o
tratamento por 90 dias. O problema é que não era recomendável que eu ficasse
internada por causa do risco de infecção hospitalar, nem mesmo no isolamento, então
eu ia e voltava da Santa Casa de SP a São Caetano do Sul, todos os dias desse
período. Sem contar as idas ao hospital para exames e consultas, 3 vezes por
semana.
Mas,
pouco a pouco o prazo dos exames e consultas foi se tornando mais espaçados até
que pude voltar a uma rotina normal, como qualquer adolescente.
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