sábado, 24 de outubro de 2015

5. A BUSCA DE ALTERNATIVAS

Mas, então, depois de tudo isso, lá estava eu, 16 anos de idade, morrendo de medo, mas segurando nas mãos de Deus e pedindo que não doesse o exame, que Deus cuidasse de mim e, principalmente que não houvesse necessidade de um transplante. Lembro-me claramente desta cena, eu havia acabado de acordar da anestesia, estava no quarto de uma famosa clínica em São Caetano do Sul chamada Clínica Bandeirante, aos cuidados do renomado Dr. Theodoro, minha mamãe ao lado da cama visivelmente preocupada, quando o doutor entra no quarto com uma fita VHS nas mãos e diz que o que tenho é grave, bem grave!

Eu pedia pra Deus: “Senhor, qualquer coisa, menos um transplante!”
Enquanto o doutor prosseguia com a explicação: “Trata-se de uma Cirrose Hepática e que somente um Transplante de Fígado é capaz de salvar a vida dela...”

Chorar foi tudo o que conseguimos fazer...

Os dias seguintes foram conturbados. Lembro-me do repouso que tive de fazer, então meu pai montou minha cama na sala, pois como eu morava em sobrado, não poderia ir para o meu quarto. Mamãe e eu orávamos muito e um dia em uma dessas orações o Senhor nos deu esta palavra:

E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram;
E eis que no mar se levantou uma tempestade, tão grande que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo.
E os seus discípulos, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos, que perecemos!
E ele disse-lhes: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.
E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?



Ele me dizia para ter fé que Ele não estaria dormindo perante minha situação. Eu sabia que tinha sobrevivido a uma gestação e parto bem difíceis e que o Senhor havia me sustentado. Lembro que o medo era grande, mas a fé, maior ainda!
Quando terminou meu repouso fomos a vários médicos, Hospital Beneficência de SP, Hospital das Clínicas de SP, Hospital Brasil e ainda haviam outros médicos agendados. No desespero, minha mãe queria ouvir outras opiniões, não conseguia acreditar que estávamos passando por aquilo.

A consulta no Hospital Brasil, com o Hepatologista e Cirurgião Infantil Dr. Maurício Iasi foi decisiva em minha vida. As palavras dele jamais serão esquecidas: “Danielle, você precisa decidir, cão com muito dono, morre de fome! Você precisa escolher onde e com quem quer se tratar e começar isso já!” Ele pegou um papel e desenhou um fígado para que eu entendesse melhor, mostrou-me que meu fígado estava funcionando apenas 34%, explicou que se eu decidisse entrar na fila do transplante muitos riscos eu correria, poderia morrer enquanto esperava na fila, poderia morrer durante o transplante e poderia morrer no pós-operatório, poderia também morrer nos primeiros anos pós-transplante, mas, também havia a chance do transplante ser um sucesso e eu ter uma ótima qualidade de vida. E ainda, que se eu decidisse não entrar na fila eu teria no MÁXIMO 3 (três) anos de vida e que se eu fizesse o transplante os primeiros 5 anos eram os mais críticos.
Os riscos eram enormes, mas eu me lembrava que o Senhor estava dormindo na barca e que a qualquer momento Ele se levantaria e acalmaria a tempestade.
Minha mãe chorava descontroladamente e entre soluços ela não conseguia balbuciar nenhuma palavra!
Eu chorava também... Absorvia cada palavra dele, digerindo tudo aquilo que caía no meu estômago como pedra. Ele me olhava nos olhos, falava com voz doce e firme, com calma... Dando uma aula de conhecimento, funcionamento e possibilidades, como um professor... Depois vim saber que ele era mesmo professor na Santa Casa de SP. Mediante tudo isso, não havia outra opção para mim, era ele!!! E então eu disse, “Dr. Maurício, o senhor aceita ser meu médico?” 

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